Hildo Rocha aplaudiu o Casa Verde e Amarela em 2020; em 2025, disse que o programa “não fez uma casa” para os pobres
O programa foi criado no governo Bolsonaro. Entre as duas falas, o deputado do MDB foi secretário-executivo, o cargo abaixo do ministro, no Ministério das Cidades, que trouxe de volta o Minha Casa, Minha Vida em 2023.
Hildo Rocha, deputado pelo Maranhão, do MDB nas duas datas.
“O programa apresentado chama-se Casa Verde e Amarela, que busca não apenas construir residências, mas também regularizar aquelas que já existem. Serão, neste Governo do Presidente Jair Bolsonaro, mais de 500 mil famílias beneficiadas com a regularização fundiária e 1 milhão de casas a serem construídas. […] Portanto, parabenizo o Presidente Jair Bolsonaro pela iniciativa.”
O SR. HILDO ROCHA (MDB - MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) · texto oficial na Câmara
“O Governo passado acabou com o Programa Minha Casa, Minha Vida e criou um programa chamado Casa Verde e Amarela, que não fez uma casa para a faixa 1, para os pobres do Brasil.”
O SR. HILDO ROCHA (Bloco/MDB - MA. Como Líder. Sem revisão do orador.) · texto oficial na Câmara
O resumo oficial da Câmara para o discurso de 2020 diz: “Aplausos ao Presidente Jair Bolsonaro e ao Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pelo lançamento do programa habitacional denominado Casa Verde e Amarela.” A fala foi no dia do lançamento, e as casas eram promessa.
O Casa Verde e Amarela foi criado pela Medida Provisória 996, de 25 de agosto de 2020, o mesmo dia da fala. Em fevereiro de 2023, a Medida Provisória 1.162 recriou o Minha Casa, Minha Vida.
Em discurso de 7 de maio de 2024, Hildo contou: “No ano passado, durante todo o ano de 2023, eu estive à frente da Secretaria-Executiva do Ministério das Cidades, ocasião em que, sob a liderança do Ministro Jader Filho, pudemos recriar o programa Minha Casa, Minha Vida.”
O Aparte não verifica se a afirmação de 2025, de que o programa “não fez uma casa para a faixa 1”, está correta: mostra o que foi dito.
Como fizemos
Um programa procura, nos discursos de Plenário que o acervo tem desde 2019, o mesmo deputado falando do mesmo assunto com sinais opostos, nos resumos oficiais e nas transcrições. Um repórter lê o texto integral dos dois discursos, confirma que o objeto é o mesmo e copia os trechos.
Cada citação é conferida por programa, palavra por palavra, na transcrição oficial e na página do discurso na Câmara, junto com o nome do orador no cabeçalho. O contexto vem do registro de partido e mandato da Câmara, da legislação e dos próprios discursos.
A busca foi feita com o mesmo critério em todos os partidos, nos discursos dos 366 deputados que o acervo tem hoje, 39% dos 929 que passaram pela Câmara desde 2019; o resultado vale para esse grupo. Entre os deputados de PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB, PV e Rede, nenhum outro caso passou no critério: em geral, a posição era a mesma nas duas datas, ou as falas tratavam de medidas ou períodos diferentes. Os três casos desta edição são de deputados que mudaram de partido ou de posição em relação a um governo no período. A busca pode ser refeita quando o acervo crescer.
O que esta comparação não diz
Mudar de avaliação é comum na política: partido, cargo e fatos novos mudam opiniões. A seção não verifica se cada afirmação das falas está correta; mostra o que foi dito e quando. A conclusão é do leitor.
Fontes
- Câmara dos Deputados — discurso de 25 de agosto de 2020 (texto oficial)
- Câmara dos Deputados — discurso de 8 de outubro de 2025 (texto oficial)
- Câmara dos Deputados — discurso de Hildo Rocha em 7 de maio de 2024 (texto oficial)
- Câmara dos Deputados — Medida Provisória 996/2020, Programa Casa Verde e Amarela
- Câmara dos Deputados — Medida Provisória 1.162/2023, Programa Minha Casa, Minha Vida
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