Erika Kokay, a deputada que mais falou em sete anos: 3.307 falas, menos de 1% com agradecimento
A deputada do PT do Distrito Federal falou 55 vezes mais que o deputado típico (a mediana). Quando fecha com o voto da bancada, é “O PT vota "sim"”: 58 falas; 204 terminam em corte de microfone.
Era 14 de março de 2019, 14h36, primeira quinzena do segundo mês da legislatura. Erika Kokay (PT-DF) encaminhava uma votação e disse: “é preciso dar um pouco de trabalho para os sabujos de Bolsonaro, aqueles saprófagos dos direitos que se manifestam aqui nesta Casa, como se ventríloquos fossem e vão repetindo os mantras, os mantras fascistas, para que possam olhar no dicionário o que é fascismo.” (Diário da Câmara)
A frase tem o que sete anos de tribuna confirmam: o presidente nomeado, a palavra rara e o fascismo como tema.
Ninguém falou mais. São 3.307 falas de 5 de fevereiro de 2019 a 2 de setembro de 2026. É o primeiro lugar entre os 412 deputados do acervo. A mediana deles é de 60 falas: ela falou 55 vezes isso. O segundo lugar, Marcel van Hattem (Novo-RS), tem 1.872.
A primeira fala, em 5 de fevereiro de 2019, às 16h52, já tinha nome e pergunta: “tenho uma pergunta que não quer calar: onde está e o que acontecerá com o Queiroz?” (Diário)
O ritmo
O ano de mais falas foi 2022, com 710. De 2019 a 2022 ela foi a primeira do ano, todos os anos. No governo Lula caiu para a quarta posição em 2023 e para a quinta em 2024.
A conta por mês mostra o corte. No governo Bolsonaro, foram 49,1 falas por mês com sessão. No governo Lula, 28,5: 42% a menos.
2019: mediana 21 · 2020: mediana 15 · 2021: mediana 14 · 2022: mediana 11 · 2023: mediana 12,5 · 2024: mediana 10 · 2025: mediana 12,5 · 2026: mediana 5
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026. 2026 vai até 2 de setembro.
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| Ano | Falas de Erika Kokay |
|---|---|
| 2019 | 435 |
| 2020 | 352 |
| 2021 | 615 |
| 2022 | 710 |
| 2023 | 318 |
| 2024 | 292 |
| 2025 | 380 |
| 2026 | 205 |
Ela falou em 662 dias diferentes; a mediana dos deputados com fala é 47. O recorde é de 11 de maio de 2022: 32 falas em um dia, 26 delas “pela ordem”, entre 16h24 e 23h52.
Mais da metade das falas dela é “pela ordem”: 57,2%. A mediana dos deputados é 47,5%. O que a separa é a discussão de matéria: 15,6% das falas dela, contra uma mediana de 1,8%.
O discurso avulso das Breves Comunicações é raro nela: 9,0% das falas. Na mediana dos deputados, 24,5%.
- Pela ordem57,2%47,5%
- Discussão15,6%1,8%
- Encaminhamento de votação9,0%1,8%
- Breves Comunicações9,0%24,5%
- Como Líder2,9%3,5%
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026.
Ver dados
| Tipo de fala | Erika Kokay | Outros deputados (mediana) |
|---|---|---|
| Pela ordem | 57,2% | 47,5% |
| Discussão | 15,6% | 1,8% |
| Encaminhamento de votação | 9,0% | 1,8% |
| Breves Comunicações | 9,0% | 24,5% |
| Como Líder | 2,9% | 3,5% |
A fala típica dela tem 229 palavras; a dos outros, 227. Só 2,5% das falas dela têm até 100 palavras, contra 11,7% nos outros. Mais de um quinto acontece a partir das 20h: 22,6%, contra 21,4% nos outros.
O que muda com o governo
No governo Bolsonaro, a pandemia estava em 18,2% das falas dela. No governo Lula, caiu à metade. O nome do então ministro Paulo Guedes aparece em 77 falas, nenhuma depois de 2022.
“golpe” sobe de 2,9% das falas para 13,0%. “anistia” vai de 0,8% para 7,8%. “8 de janeiro” quase não existia antes de 2023 e passa a 5,2%.
Lula cresce como assunto: de 12,1% das falas para 32,9%. Bolsonaro continua: 16,7% antes e 20,2% depois.
- Lula12,1%32,9%
- Bolsonaro16,7%20,2%
- Democracia12,8%22,4%
- Pandemia, Covid, vacina18,2%9,0%
- Golpe2,9%13,0%
- Anistia0,8%7,8%
- 8 de janeiro0,1%5,2%
- Paulo Guedes3,6%0%
- Sérgio Moro2,5%0,5%
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026. Lista de termos escolhida pela redação; a conta é por fala, uma vez cada.
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| Nome ou tema | Governo Bolsonaro | Governo Lula | Falas no total |
|---|---|---|---|
| Lula | 12,1% | 32,9% | 649 |
| Bolsonaro | 16,7% | 20,2% | 594 |
| Democracia | 12,8% | 22,4% | 539 |
| Pandemia, Covid, vacina | 18,2% | 9,0% | 493 |
| Golpe | 2,9% | 13,0% | 217 |
| Anistia | 0,8% | 7,8% | 110 |
| 8 de janeiro | 0,1% | 5,2% | 63 |
| Paulo Guedes | 3,6% | 0% | 77 |
| Sérgio Moro | 2,5% | 0,5% | 59 |
Duas palavras marcam as duas eras. “genocida” está em 80 falas dela, 64 no governo Bolsonaro; só em 2021 foram 47. Em 18 de março de 2021, às 10h44, Breves Comunicações: “Jair Bolsonaro vai ser lembrado como Jair Bolsonaro, o genocida - o genocida! Nós temos mais de 3 mil mortes em 24 horas. O Brasil marcha sob um som fúnebre; é uma marcha fúnebre que está em curso. Cada uma dessas mortes cola na nossa pele, cola na nossa alma. Cada pessoa que parte é o amor de alguém.” (Diário) É acusação de crime a pessoa nomeada, na voz dela. A redação não localizou decisão oficial sobre essa imputação; a seção não verifica cada afirmação. Outros 93 deputados do acervo também usam a palavra.
A outra é “hoje inelegível”, sobre Bolsonaro: 66 falas, todas depois de 31 de agosto de 2023 (Diário), e de nenhum outro deputado do acervo.
A língua
Ela quase não diz “eu”: 2,84 vezes a cada mil palavras, contra 5,82 nos outros. Diz “nós”. A abertura mais comum é “Sr. Presidente, nós”, em 83 falas.
“povo brasileiro” está em 26,6% das falas dela; nos outros, em 13,1%. Já o tratamento direto ao colega, por Vossa Excelência ou por colega, aparece em 6,7% das dela, contra 20,1%.
O fecho a distingue. Só 0,54% das falas terminam em “obrigada” ou “obrigado”; nos outros deputados, 29,72%. Quando o fecho é o voto da bancada, é “O PT vota "sim"”: 58 falas. O fecho mais comum fora isso é o corte: 204 falas terminam com o microfone desligado pelo tempo.
Há frases que são só dela. “salas escuras de tortura” aparece em 67 falas, de 14 de fevereiro de 2019 a 21 de maio de 2026. Na primeira: “Nós temos centenas de desaparecidos políticos, salas escuras de tortura, que são inegáveis” (Diário). Nenhum outro deputado do acervo a usa.
“peito estufado do fascismo” está em 25 falas, desde 14 de maio de 2019 (Diário). “casas grandes e senzalas”, em 19. “necropolítica”, em 125; essa, outros 10 deputados também dizem.
O vocabulário duro foi medido com a mesma lista nos dois perfis: 68 termos, reunidos das 81 palavras das duas listas, publicados no gráfico abaixo. Ela usa 5,43 desses termos a cada mil palavras; Marcel van Hattem, 5,22. Nela, 4,67 sob Bolsonaro e 6,72 sob Lula.
Os termos mais frequentes nela são “crime” (933 vezes), “mentira” (557) e “ódio” (505). A lista conta palavras, não o alvo: “ódio” inclui “discurso de ódio”.
- Governo Bolsonaro4,74,0
- Governo Lula6,76,4
- Todo o período5,45,2
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026. A lista é a união das duas listas declaradas pela mesa de pesquisa; mede vocabulário, não intenção nem alvo.
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| Período | Erika Kokay (por mil) | Marcel van Hattem (por mil) |
|---|---|---|
| Governo Bolsonaro | 4,7 | 4,0 |
| Governo Lula | 6,7 | 6,4 |
| Todo o período | 5,4 | 5,2 |
Ver a lista dos 68 termos
| Termo (plural somado ao singular) | Erika Kokay | Marcel van Hattem |
|---|---|---|
| absurda | 10 | 27 |
| absurdo | 300 | 338 |
| abuso | 43 | 296 |
| arbitrariedade | 2 | 10 |
| arbitrário | 5 | 4 |
| assassina | 232 | 18 |
| assassino | 50 | 15 |
| autoritarismo | 52 | 15 |
| autoritário | 31 | 15 |
| bandido | 19 | 128 |
| canalha | 0 | 2 |
| censura | 44 | 110 |
| censurado | 3 | 25 |
| censurar | 1 | 24 |
| comunista | 9 | 77 |
| corrupta | 24 | 8 |
| corrupto | 84 | 85 |
| corrupção | 293 | 249 |
| covarde | 30 | 56 |
| covardia | 16 | 22 |
| crime | 933 | 379 |
| criminosa | 87 | 49 |
| criminoso | 218 | 141 |
| cínico | 9 | 1 |
| desumano | 3 | 3 |
| ditador | 22 | 69 |
| ditadura | 291 | 102 |
| ditatorial | 13 | 15 |
| facínora | 3 | 0 |
| fascismo | 115 | 10 |
| fascista | 126 | 6 |
| genocida | 127 | 8 |
| genocídio | 102 | 7 |
| golpe | 422 | 43 |
| golpista | 187 | 27 |
| hipócrita | 6 | 26 |
| ignorante | 0 | 0 |
| ilegal | 141 | 123 |
| ilegítimo | 0 | 1 |
| impeachment | 38 | 108 |
| incompetente | 6 | 21 |
| inconstitucional | 48 | 94 |
| ladrão | 38 | 55 |
| machista | 36 | 3 |
| mentira | 557 | 123 |
| mentirosa | 25 | 13 |
| mentiroso | 20 | 19 |
| miliciano | 37 | 0 |
| milícia | 147 | 2 |
| misógina | 50 | 4 |
| misógino | 43 | 0 |
| monstruoso | 0 | 1 |
| nazista | 8 | 9 |
| negacionista | 40 | 3 |
| perseguido | 11 | 89 |
| perseguição | 29 | 108 |
| psicopata | 26 | 0 |
| quadrilha | 21 | 25 |
| racista | 82 | 4 |
| safado | 0 | 2 |
| socialista | 2 | 28 |
| sociopata | 0 | 0 |
| tirania | 0 | 9 |
| tirano | 0 | 12 |
| vagabundo | 1 | 2 |
| vergonha | 47 | 140 |
| vergonhoso | 8 | 18 |
| ódio | 505 | 25 |
Contra quem fala, e quem responde
Bolsonaro é citado em 18,0% das falas dela e Lula em 19,6%. A Lula ela dá o título: “Presidente Lula” aparece em 58 falas.
Deputados de outros campos ela nomeia pouco. Eduardo Bolsonaro, em 20 falas; Marcel van Hattem, 14; Bia Kicis, 10; Nikolas Ferreira, 3.
O caminho inverso é mais cheio: 700 falas de 159 deputados a citam pelo nome. Do PT, 255; do PL, 91; do PSOL, 70; do Novo, 52. Marcel van Hattem a nomeia em 28 falas; ela o nomeia em 14, pelo mesmo critério.
A ata registra 24 interrupções dela em falas de 12 deputados, e 64 de 33 deputados nas falas dela. A mais antiga, em 13 de fevereiro de 2019: ela diz “Apontem-me qual é o crime de Lula!”; Coronel Chrisóstomo (PSL-RO): “Continua preso!” (Diário).
O primeiro embate completo é de 19 de março de 2019, às 19h48. Bibo Nunes (PSL-RS), sobre o capital estrangeiro nas companhias aéreas: “foram relatados e aprovados pelo PT, pela base do Governo Dilma, 100% de abertura para as companhias aéreas internacionais. O que é isso? MP 714. A Esquerda está delirando?” (Diário) A ata registra, dentro da fala dele, a interrupção: “Mentira!”.
Na fala seguinte, ela: “Sr. Presidente, não posso escutar o que foi dito. Isso é uma mentira.” E fecha chamando os autores da emenda de “sabujos estadunidenses” (Diário). A seção não verifica quem tem razão sobre a MP 714.
O embate com Marcel van Hattem tem os dois lados na mesma sessão, em 22 de maio de 2025, em quatro falas seguidas. Às 13h12, ele, em obstrução, dirigindo-se a ela: “É justamente o PT de V.Exa., que defende o Lula, o maior ladrão que já ocupou a Presidência da República, ladrão, ladrão, ladrão, ladrão, ladrão.” (Diário) É acusação de crime a pessoa nomeada, na voz dele. A decisão oficial: em 8 de março de 2021 o ministro Edson Fachin, do STF, anulou as condenações de Lula na Lava Jato por incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba (HC 193726); em 15 de abril de 2021 o Plenário confirmou, por 8 votos a 3 (STF).
Às 13h16, ela, sobre Bolsonaro: “Nós temos um ex-Presidente da República que está respondendo à Justiça porque roubou joias” (Diário). Às 13h24 repete: o povo “derrotou o ladrão de joias”. É acusação de crime a pessoa nomeada, na voz dela. A situação oficial que a redação localizou: em 8 de julho de 2024 o STF retirou o sigilo do caso das joias (PET 11645), com o relatório final da Polícia Federal apresentado e prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República pedir mais provas, arquivar ou denunciar (STF). Decisão posterior em página oficial a redação não localizou.
Às 13h20, ele volta e a nomeia 6 vezes: “A senhora passa pano para essa roubalheira do Governo Lula de aposentados, idosos, deficientes físicos e mulheres? Sim, a senhora passa pano para a corrupção no Governo Lula. A senhora defende impunidade.” (Diário) A seção não verifica. Às 13h24, ela, sem nomeá-lo: “alguns acham que o tom odioso ou que esse ódio destilado e essas mentiras consolidadas convencem a Nação” (Diário).
Em 26 de novembro de 2025 ele registra o que ouviu dela: “Depois, ainda ouço da Deputada Erika Kokay que nós somos antidemocráticos. Está no Regimento buscar as 52 assinaturas.” (Diário) Nas 10 falas dela daquele dia no acervo, a palavra não aparece. Às 19h04 ela disse, sobre uma sugestão do Novo: “Parem de mentir! Parem de mentir!” (Diário)
Nem sempre foi assim. Em 11 de setembro de 2019, ele: “o NOVO alia-se à sintética e brilhante defesa da Deputada petista Erika Kokay sobre a livre concorrência” (Diário).
Em 29 de maio de 2025, o outro lado são dois. Às 11h48 ela disse que “o Governo Bolsonaro deixou um rombo de 800 bilhões de reais nas contas públicas” (Diário). Às 12h, Carlos Jordy (PL-RJ) “respondeu às críticas da Deputada Erika Kokay e negou que o Governo Bolsonaro tenha deixado um rombo fiscal de R$ 800 bilhões”, segundo o sumário oficial; no Diário, a fala traz “Mentira!” e “Vocês assaltaram os idosos!” (Diário, p. 107; o texto dele não está no acervo do Aparte). A seção não verifica. Em seguida, Luiz Lima (Novo-RJ): “A "Covid-13" é muito pior do que a Covid-19.” E: “…Deputada do Governo vir aqui e dizer que o Governo Bolsonaro deixou um rombo de 800 bilhões de reais…” (Diário).
Às 12h04 ela responde aos dois. A Jordy: “Presidente, o Governo Bolsonaro, melhor dizendo, o desgoverno Bolsonaro, em 4 anos, ultrapassou o teto de gastos em quase 800 bilhões de reais e deu um calote de 92 bilhões de reais.” A Lima, no fecho: “E 700 mil mortes importam, sim! Não tripudiem sobre a dor da população!” (Diário) A seção não verifica os números de nenhum dos três.
Em 1º de abril de 2025, Como Líder, contra a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, ela falou de “esses que estão defendendo criminosos” e disse: “O que nós temos hoje é uma tentativa de estabelecer o que não aconteceu, ou seja, de negar a realidade, de mentir. Mentira foi o que nós vimos no golpe que se realizou 61 anos atrás, no Dia da Mentira, no dia 1º de abril.” (Diário) “criminosos” é afirmação dela. A decisão oficial: até 12 de agosto de 2025, o STF havia condenado 638 pessoas pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e outras 552 fizeram acordo com o Ministério Público (STF).
Cinco falas para ler
- 14/03/2019Encaminhamento de votação, 14h36. “os sabujos de Bolsonaro, aqueles saprófagos dos direitos”: o vocabulário que vai durar sete anos. Diário da Câmara
- 19/03/2019Pela ordem, 19h48. O “Mentira!” gravado dentro da fala de Bibo Nunes e a réplica sobre as companhias aéreas. Diário da Câmara
- 18/03/2021Breves Comunicações, 10h44. “o genocida - o genocida!”, na semana das 3 mil mortes por dia. Afirmação dela; a seção não verifica. Diário da Câmara
- 01/04/2025Como Líder, 19h36. O “Dia da Mentira”, o golpe de 1964 e a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. Diário da Câmara
- 29/05/2025Pela ordem, 12h04. A réplica a Carlos Jordy e a Luiz Lima (Novo-RJ), quatro minutos depois: “E 700 mil mortes importam, sim!”. Diário da Câmara
Fonte: Diário da Câmara dos Deputados (texto taquigráfico, sem revisão da oradora).
Em 4 de outubro de 2026 ela disputou uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Teve 610.950 votos, 18,91% dos válidos, e ficou em 4º lugar: não foi eleita, segundo a totalização oficial do TSE. A última fala no acervo é de 2 de setembro de 2026.
Como fizemos
Lemos as 3.307 falas de Erika Kokay publicadas pela API de dados abertos da Câmara, de 5 de fevereiro de 2019 a 2 de setembro de 2026, e as comparamos com as falas dos outros 411 deputados do acervo do Aparte. O arquivo dela não tinha cópias; todas as falas trazem o cabeçalho dela. Corte de microfone: 252 falas trazem a marca “(Desligamento automático do microfone.)”; em 204 ela é a última coisa do texto, e é esse o número que usamos (nas outras, a Mesa ou outro deputado fala em seguida, dentro do mesmo registro). A mediana de falas por deputado (60) e a de dias com fala (47) são as dos 412 do acervo, as mesmas do perfil de Marcel van Hattem; 16 deles não têm fala.
Régua comum aos dois perfis: a fatia por tipo de fala é comparada com a mediana entre deputados com 20 falas ou mais; noite é 20h em diante; o vocabulário duro usa uma lista única de 68 termos, reunidos das 81 palavras das duas listas declaradas pela mesa de pesquisa (plural somado ao singular, com flexões), contada no texto integral das falas dos dois oradores; “quem nomeia quem” conta falas em que o nome aparece no texto, em qualquer caixa, uma vez por fala: “Erika Kokay”, “Deputada Erika” (sem “Hilton”) ou “Deputada Kokay” para ela; “Van Hattem” ou “Deputado Marcel” para ele. O mesmo critério vale nos dois arquivos.
Governo Bolsonaro é o período até 31 de dezembro de 2022; governo Lula, de 1º de janeiro de 2023 em diante. “Falas por mês com sessão” divide as falas pelos meses em que ela falou ao menos uma vez. Nomes e temas foram procurados no texto integral de cada fala por lista da redação (por exemplo, “golpe”, “anistia”, “8 de janeiro”); cada fala conta uma vez. Frases de assinatura são sequências de palavras contadas por fala, nela e nos outros deputados.
Quem a cita: falas de outros deputados com “Deputada Erika”, “Erika Kokay” ou “Deputada Kokay” no texto, com o partido lido do cabeçalho de cada fala na data. Interrupções são as linhas em que a ata registra a fala de alguém dentro da fala de outro.
Cada citação entre aspas foi conferida, letra por letra, no texto oficial da fala; o link leva à página do Diário da Câmara. Para Carlos Jordy, sem arquivo de texto no acervo, usamos o sumário da lista oficial de Plenário e o texto do Diário de 30 de maio de 2025, p. 107. As decisões do STF e o resultado do TSE foram lidos nas páginas oficiais em 14 de outubro de 2026.
O que este número não diz
Votos e projetos não estão no acervo: “O PT vota "sim"” é o que ela disse, não como ela votou. Mais da metade das falas é “pela ordem” e um terço traz “orientação de bancada” como palavra-chave: contagem de falas mede presença no microfone, não o peso de cada discurso. A lista de termos duros conta vocabulário, não intenção nem alvo; “crime” e “golpe” entram tanto na acusação quanto na descrição de um projeto. O ranking é entre os 412 deputados do acervo, não entre os 513 da Casa, e deputados com mandato parcial puxam a mediana para baixo; por isso a comparação ano a ano é a mais justa. A lista oficial de Plenário traz 3.386 entradas dela, mais que as 3.307 da API: os números por tipo, hora e tema vêm do texto da API. O texto é o da taquigrafia, “Sem revisão da oradora”. Acusações de crime a pessoas nomeadas são afirmações de quem falou; a seção não verifica cada uma.
Fontes
- Câmara dos Deputados — API de dados abertos, discursos da deputada Erika Kokay (id 160575)
- Câmara dos Deputados — página da deputada Erika Kokay
- Câmara dos Deputados — Diário da Câmara (cada fala citada tem o link no texto)
- Câmara dos Deputados — Diário de 30/05/2025, sessão de 29/05/2025 (PDF; Carlos Jordy, p. 107)
- STF — Fachin anula condenações de Lula e manda ações penais para Justiça Federal do DF (08/03/2021, HC 193726)
- STF — STF confirma anulação de condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato (15/04/2021, 8 votos a 3)
- STF — STF retira sigilo do caso das joias, dá acesso às partes e abre vista para análise da PGR (08/07/2024, PET 11645)
- STF — Atos antidemocráticos de 8/1: 1.190 pessoas já foram responsabilizadas (13/08/2025)
- TSE — totalização oficial, Senado, Distrito Federal, 1º turno de 04/10/2026 (arquivo de dados)
- STF — Tema 995 de repercussão geral (RE 1.075.412): dever de cuidado de quem publica imputação feita por terceiro
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