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AparteO Congresso pelo que se diz na tribuna
Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição nº 6
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Paulo Paim fez 2.636 pronunciamentos em 15 anos e anuncia a saída do Senado pela própria voz

Falou 11 vezes mais que o senador típico (a mediana) dos 64 do acervo. Desde 2019, com mais gente falando, ele é o 2º. O mandato termina em 31 de janeiro de 2027.

Mesa de pesquisa e perfilista do Aparte

“não sou chimango nem sou maragato; sou tão somente um rebelde lanceiro negro. Sou, sim, descendente de Zumbi na terra de Sepé Tiaraju.” Foi assim que Paulo Paim (PT-RS) se apresentou ao Plenário do Senado em 25/08/2016, na discussão do impeachment de Dilma Rousseff. Chimangos e maragatos são os dois lados da guerra civil gaúcha dos anos 1890; os lanceiros negros, os soldados escravizados da Revolução Farroupilha.

Este perfil é feito só das falas que o Senado guarda dele desde 09/02/2011: 2.636 pronunciamentos, lidos e contados.

O ritmo

Nenhum senador do acervo do Aparte tem tantos pronunciamentos. A mediana dos 64 senadores é de 239,5. Paim tem 11 vezes isso. O segundo, Izalci Lucas (PL-DF), tem 1.418; o terceiro, Humberto Costa (PT-PE), 1.045.

A conta precisa de uma ressalva. O acervo reúne 64 senadores, em maioria candidatos em 2026, e até 2018 só 7 a 12 deles têm fala por ano. A comparação com o mesmo campo de senadores começa em 2019, quando passam a 40. De 2019 a 2025, anos completos, Paim fez 1.122 pronunciamentos e ficou em 2º lugar. Izalci Lucas fez 1.302.

Ano a ano, ele foi o 1º em 2019 e em 2020. Caiu para o 5º em 2022. Voltou ao 2º em 2025. O dia mais cheio é 03/08/2022, com 16 registros: 14 são intervenções curtas de votação (discutir, encaminhar, orientar a bancada), todos por videoconferência.

Pronunciamentos por ano: Paulo Paim e o senador típicoPaim e a mediana dos senadores do acervo que falaram no ano. Até 2018 o acervo tem de 7 a 12 senadores com fala por ano; de 2019 em diante, 40 ou mais. 2026 vai até 21 de setembro.
Paulo PaimMediana dos que falaram

Fonte: Senado Federal, Dados Abertos, pronunciamentos de Paulo Paim de 09/02/2011 a 21/09/2026 e dos outros 63 senadores do acervo do Aparte (em maioria candidatos em 2026; Paim não é).

Ver dados
AnoPaulo PaimMediana dos que falaram
201120549
201218372
201323583
201414539
201517519
201614918
201720217,5
201813820
201922325
202011611
202119432
202214830
202316844
202413837,5
202513530
20268215

O ritmo por mês vai de 11,6 a 15,4 pronunciamentos, conforme o governo. Sob Dilma foram 15,4 por mês. Sob Temer, 13,9. Sob Bolsonaro, 14,2. Sob Lula 3 são 11,6 por mês, o menor dos quatro.

O tamanho muda mais. Metade das falas proferidas em 2019 passa de 1.899 palavras. Em 2020 a mediana cai para 770. Em 2021, 546. Em 2022, 462. De 2023 em diante volta a pouco mais de 1.100. Os anos curtos coincidem com as sessões remotas da pandemia; o acervo não diz a causa.

Os temas mudam com o governo; o trabalho, não

Trabalho e emprego aparecem em 48,6% de todos os pronunciamentos. Em nenhum ano o tema fica abaixo de 22,5% (2024). O pico é 2017, ano da reforma trabalhista: 76,2%.

Previdência e aposentadoria é o tema que mais sobe e desce. Sob Temer, está em 41,9% das falas. Em 2019, o ano da reforma de Bolsonaro, chega a 60,1%. Sob Lula 3, cai para 12,0%. Em 2024, 7,2%.

Igualdade racial faz o caminho inverso. Em 2017 o tema está em 4,5% das falas. Em 2020 salta para 25,9%. Em 2023 chega a 29,2%, o maior da série. Nos anos Lula 3 fica em 21,8%. Nos anos Dilma era 12,8%.

Do que ele fala em cada governoParte dos pronunciamentos de Paim que tocam em cada tema, por governo. Um pronunciamento pode ter mais de um tema. Toque no nome do governo.
  1. Trabalho e emprego47,8%
  2. Homenagem e pesar46,0%
  3. Previdência e aposentadoria34,4%
  4. Rio Grande do Sul33,3%
  5. Violência e direitos humanos21,6%
  6. Educação20,3%
  7. Saúde14,3%
  8. Pessoa com deficiência14,3%
  9. Igualdade racial12,8%
  10. Democracia9,0%
  11. Salário mínimo9,0%
  12. Idoso6,8%
  13. Reformas e economia3,7%

Fonte: Senado Federal, Dados Abertos, pronunciamentos de Paulo Paim de 09/02/2011 a 21/09/2026 e dos outros 63 senadores do acervo do Aparte (em maioria candidatos em 2026; Paim não é). Tema contado por palavras-chave na indexação e no resumo oficiais do Senado; a lista de cada tema está em “Ver dados”.

Ver dados
GovernoTema% dos pronunciamentos
Dilma (2011–maio/2016)Trabalho e emprego47,8
Dilma (2011–maio/2016)Homenagem e pesar46,0
Dilma (2011–maio/2016)Previdência e aposentadoria34,4
Dilma (2011–maio/2016)Rio Grande do Sul33,3
Dilma (2011–maio/2016)Violência e direitos humanos21,6
Dilma (2011–maio/2016)Educação20,3
Dilma (2011–maio/2016)Saúde14,3
Dilma (2011–maio/2016)Pessoa com deficiência14,3
Dilma (2011–maio/2016)Igualdade racial12,8
Dilma (2011–maio/2016)Democracia9,0
Dilma (2011–maio/2016)Salário mínimo9,0
Dilma (2011–maio/2016)Idoso6,8
Dilma (2011–maio/2016)Reformas e economia3,7
Temer (2016–2018)Trabalho e emprego64,4
Temer (2016–2018)Homenagem e pesar43,9
Temer (2016–2018)Previdência e aposentadoria41,9
Temer (2016–2018)Rio Grande do Sul24,5
Temer (2016–2018)Reformas e economia19,8
Temer (2016–2018)Democracia16,7
Temer (2016–2018)Violência e direitos humanos14,9
Temer (2016–2018)Educação11,3
Temer (2016–2018)Pessoa com deficiência10,4
Temer (2016–2018)Saúde9,7
Temer (2016–2018)Igualdade racial6,1
Temer (2016–2018)Idoso4,1
Temer (2016–2018)Salário mínimo3,2
Bolsonaro (2019–2022)Trabalho e emprego45,5
Bolsonaro (2019–2022)Previdência e aposentadoria30,7
Bolsonaro (2019–2022)Saúde25,7
Bolsonaro (2019–2022)Homenagem e pesar25,3
Bolsonaro (2019–2022)Igualdade racial18,6
Bolsonaro (2019–2022)Reformas e economia17,9
Bolsonaro (2019–2022)Democracia17,0
Bolsonaro (2019–2022)Educação16,3
Bolsonaro (2019–2022)Violência e direitos humanos14,5
Bolsonaro (2019–2022)Rio Grande do Sul11,6
Bolsonaro (2019–2022)Salário mínimo9,5
Bolsonaro (2019–2022)Pessoa com deficiência7,0
Bolsonaro (2019–2022)Idoso3,1
Lula 3 (2023–set/2026)Trabalho e emprego40,7
Lula 3 (2023–set/2026)Homenagem e pesar33,7
Lula 3 (2023–set/2026)Rio Grande do Sul26,2
Lula 3 (2023–set/2026)Igualdade racial21,8
Lula 3 (2023–set/2026)Violência e direitos humanos20,5
Lula 3 (2023–set/2026)Democracia16,4
Lula 3 (2023–set/2026)Saúde15,1
Lula 3 (2023–set/2026)Educação14,5
Lula 3 (2023–set/2026)Reformas e economia12,6
Lula 3 (2023–set/2026)Previdência e aposentadoria12,0
Lula 3 (2023–set/2026)Salário mínimo10,1
Lula 3 (2023–set/2026)Pessoa com deficiência8,8
Lula 3 (2023–set/2026)Idoso5,7
Ver as palavras-chave de cada tema
TemaPalavras-chave (sem acento; | separa alternativas)
Previdência e aposentadoriaprevidenc|aposentad|pensionist|\binss\b|fator previd|reforma da previd
Trabalho e empregotrabalhador|trabalhist|\btrabalho\b|emprego|sindic|\bclt\b|terceiriz|desempreg|greve|\bsalari
Igualdade racialracial|racismo|\bnegr[oa]s?\b|consciencia negra|quilomb|zumbi|afro|cotas raciais|discriminacao
Saúde\bsaude\b|\bsus\b|hospital|doenca|medic
Educaçãoeducac|escola|professor|universidad|ensino
Rio Grande do Sulrio grande do sul|gaucho|porto alegre|caxias|pelotas|santa maria|\brs\b
Homenagem e pesarhomenag|pesar|falecimento|aniversario|morte de|lamenta|reconhecimento
Violência e direitos humanosviolencia|direitos humanos|feminicidio|mulher(es)? vitima|tortura|assassinat
Reformas e economiareforma (tributaria|administrativa|trabalhista)|teto de gastos|emenda constitucional 95|\bpec\b|privatiz|austeridade
Democraciademocracia|golpe|impeachment|constituicao|ditadura|8 de janeiro|antidemocr
Salário mínimosalario minimo|piso salarial|salario-minimo|reajuste
Pessoa com deficiênciadeficien|acessibilidade|cadeirante|\bcegos?\b|surdos?|autis
Idosoidos[oa]|terceira idade|envelhec

Em 17/02/2017, sob Temer: “É por isso que eu não entendo mais nada neste Governo. Não entendo a reforma da previdência, não entendo essa reforma trabalhista.” Quatro meses depois, em 20/06/2017, ele sobe à tribuna direto da Comissão de Assuntos Sociais, que naquele dia tinha rejeitado o relatório da reforma por 10 votos a 9, segundo a Agência Senado: “eu confesso que não queria ser o primeiro, porque estou com a emoção com que vim de lá ainda”.

“Dilma” está em 39,6% das falas dos anos Dilma; “Temer”, em 27,6% das dos anos Temer. “Bolsonaro” está em 2,9% das falas dos anos Bolsonaro. “Lula”, em 46,4% das falas sob Lula 3.

Sob Bolsonaro, o nome do presidente quase não aparece; os temas do governo, sim. Em 08/02/2019: “quando não ganhou meu candidato, eu disse: "Jair Bolsonaro está eleito. Ele é o Presidente". E assim é a democracia.” Em 10/12/2021, pede a derrubada do veto à quebra de patentes: “nós vamos votar o veto”. Sob Lula 3, em 26/06/2023, critica a decisão do Copom, que “manteve a taxa básica de juro em 13,75% ao ano”: “Faltou, no meu entendimento, mais uma vez, sensibilidade.”

A língua

Ele chama o colega pelo título e pelo nome, “Senador” ou “Senadora”, em 87,6% das falas proferidas. Diz “Sr. Presidente” em 74,5%. Fala do Rio Grande do Sul ou dos gaúchos em metade delas, 50,1%. “Meu querido” ou “minha querida” está em 32,8%; os aposentados, em 31,5%.

Há palavras que são dele e de quase mais ninguém. “Cobap”, a confederação dos aposentados, aparece em 122 pronunciamentos de Paim. Nos 14.112 pronunciamentos dos outros 63 senadores, aparece em um. “Aerus”, o fundo de pensão da Varig, está em 145 falas dele. “Desaposentadoria”, em 71. “Fim do fator” previdenciário, em 158 dele e em nenhum dos outros.

“Calculem” é o verbo com que ele abre uma conta de emoção: 127 pronunciamentos, contra 3 de todos os outros. Em 21/02/2011, sobre uma mulher que viu o marido morrer sem transplante: “Calculem a minha emoção ao ver o programa.” “Políticas humanitárias” está em 164 falas dele.

O fecho é um “obrigado” em 62,3% das falas. Em 29,8% ele pede que um texto seja considerado “na íntegra” ou registrado nos Anais.

Com quem discute

Outros senadores falam dentro dos pronunciamentos dele, em aparte, 2.184 vezes, em 431 textos. Quem mais aparteia é Vanessa Grazziotin, com 141 trechos. Depois, Lindbergh Farias, com 104. Cristovam Buarque, com 98. Em 2017 foram 392 apartes. Em 2019, 354. Em 2020, 9. Em 2022, nenhum aparte. Em 2023, 25.

A divergência é rara: dos 2.184 trechos de outros oradores, 32 trazem uma marca de discordância (“divirjo”, “discordo”, “equívoco”). O jornal leu os 32 e lista aqui os que achou.

Em 06/10/2015, sobre um dispositivo da Medida Provisória 680 que ele lia como fim da CLT: “É um crime de lesa-pátria retirar dos assalariados brasileiros a CLT.” O deputado gaúcho Darcísio Perondi (PMDB-RS) pediu a palavra: “Sr. Presidente, eu fui citado.” E respondeu: “Eu quero informar ao Senador Paulo Paim que, em hipótese alguma, é lesa-pátria.” Paim retrucou: “Revisar é uma coisa...” “...colocar uma emenda covarde é outra coisa!” (A seção não verifica cada afirmação.)

Em 29/09/2015, quando Paim disse esperar há 23 anos a votação do projeto do direito de greve do servidor, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) interveio: “A Constituição garante.” Em 09/09/2015, sobre a sessão de vetos, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP): “Parece claramente uma estratégia, no meu entender, equivocada”. Em 10/03/2017, sobre a reforma da previdência, Lasier Martins (PSD-RS): “A minha discordância – e haveremos de discutir muito sobre isso – é com relação aos 65 anos e ao tempo de contribuição.”

Em 18/05/2017, Jorge Viana (PT-AC): “Eu divirjo das posições do colega Senador Alvaro, tenho posições completamente diferentes das dele”. Em 30/05/2017, sobre a reforma trabalhista, Otto Alencar (PSD-BA): “Acho que esse projeto é um projeto que considero da pior qualidade”. Em 28/02/2023, num discurso sobre trabalhadores resgatados de trabalho escravo em Bento Gonçalves, Eduardo Girão (Novo-CE): “Eu concordo com quase tudo que o senhor falou. Discordo respeitosamente apenas”.

Em duas das falas com marca de divergência, ela vem junto com o elogio. Tasso Jereissati (PSDB-CE), em 15/03/2016: “apesar de nós discordamos na maioria das proposições que nós fazemos, o respeito e a admiração que eu tenho por V. Exª são enormes.” Simone Tebet (MDB-MS), em 05/12/2019, fala em “divergências muitas vezes de posicionamento” e diz: “nós vemos um Senador falar com o coração”.

Nos discursos dos outros senadores, Paim fala 38 vezes. Nas falas de 2017 contra o governo Temer não há resposta de ministro nem de líder do governo nos textos dele; o Aparte não procura os citados.

A saída, nas próprias palavras

A saída aparece em falas de várias datas; o jornal as lista em ordem. Em 19/02/2025, ele já dizia, de passagem, “porque este é o meu último mandato”. Em 01/12/2025, a decisão vem com uma ressalva sobre o gênero: “Senador, hoje vou falar e espero que eu não faça aqui um discurso de despedida. Na verdade, ontem eu homologuei, no Rio Grande do Sul, por decisão minha, o meu último mandato, depois de sete mandatos – quatro de federal, sendo um de Constituinte, e três de Senador.” E antecipa a objeção: “"Mas tem mais um ano ainda". É verdade, é no fim do ano que vem.”

Em 15/12/2025, no balanço do ano: “Não sou candidato mais a nada; só estou fazendo o balanço de como é que foi o nosso trabalho neste ano.” Em 11/03/2026, na sessão dos 30 anos da TV Senado, diz falar “com um carinho enorme de alguém que está se despedindo desta Casa”, e aos funcionários, “os do cafezinho ao diretor, que eu vou embora, mas vocês sabem que eu levarei vocês aqui, neste belo coração deste negro Senador.”

Em 04/05/2026: “não falo em despedida, falo que saio do Congresso, mas não sairei do bom debate”. A indexação oficial desse pronunciamento já registra “encerramento, mandato parlamentar”. Em 01/06/2026: “Estou no meu último mandato, porque resolvi não concorrer mais para passar o bastão para os mais jovens.” Em 30/06/2026, ao agradecer uma homenagem da Assembleia Legislativa gaúcha, com balanço da trajetória e defesa do fim da escala 6x1: “não serei mais candidato ao Senado, mas não saio da política, porque a política está em mim.”

Em 01/07/2026, numa sessão sobre a redução da jornada: “Eu vou embora com tristeza, mas com a alegria de dizer a todos que eu fiz e dei o melhor de mim.” Em 24/08/2026, na sessão dos 80 anos do Tribunal Superior do Trabalho: “Reitero que saio do Parlamento, mas não sairei da política, não sairei da luta, do bom combate nas causas do povo brasileiro.” A de 03/09/2026 vem dentro de um apelo aos presidenciáveis: “Se eu fosse candidato a Presidente, o que não sou e nunca serei, porque estou me aposentando, é meu último ano...”

A mais recente é de 21/09/2026, o último pronunciamento do acervo, por vídeo, na sessão do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: “Eu saio do Parlamento, volto para casa, saio do Congresso, mas estarei sempre com vocês no meu coração”. Pelos Dados Abertos do Senado, o mandato termina em 31/01/2027. Até 21/09/2026 não há sessão de despedida.

Em 25/08/2016, o discurso do lanceiro negro terminou assim: “vida longa à democracia, porque pátria - pátria! pátria! - somos todos!” As cinco falas abaixo ligam aquela data a esta.

As cinco falas que o leitor precisa ler
  1. 25/08/2016Discussão do impeachment de Dilma Rousseff. “Onde está o crime? Onde há crime? Sem crime. Onde está o crime? A Presidenta Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Isso está provado.” (A seção não verifica cada afirmação.) Texto oficial no Senado
  2. 20/06/2017O dia em que a Comissão de Assuntos Sociais rejeitou o relatório da reforma trabalhista. “E a vitória não foi nossa, a vitória foi do povo brasileiro, foi dos homens mais sofridos e mulheres mais sofridas, foi daqueles que moram nas palafitas” Texto oficial no Senado
  3. 10/12/2021Pandemia: o veto à quebra de patentes de vacinas. “derrubar o Veto 48, da quebra de patente de vacinas e medicamentos contra a covid-19, é reafirmar, é afirmar ao mundo a importância dos direitos humanos, ou seja, da vida.” Texto oficial no Senado
  4. 22/05/2023Racismo contra Vinícius Júnior. “um crime, um crime contra os direitos humanos. Eu, claro, quero dizer minha solidariedade e direi tantas vezes quanto for necessário.” Texto oficial no Senado
  5. 30/06/2026A confirmação, no agradecimento à homenagem da Assembleia gaúcha. “não serei mais candidato ao Senado, mas não saio da política, porque a política está em mim.” Texto oficial no Senado

Fonte: Senado Federal, pronunciamentos (texto integral na página oficial de cada um).

Como fizemos

Lemos os 2.636 pronunciamentos de Paulo Paim que o Senado publica em Dados Abertos, de 09/02/2011 a 21/09/2026, e os 2.441 textos integrais correspondentes (195 itens não têm texto no acervo). A comparação é com os outros 63 senadores do acervo do Aparte, em maioria candidatos em 2026 (Paim não é); a mediana é o valor do meio entre os 64, incluído um senador sem nenhum pronunciamento.

Governos pelas datas de posse e saída: Dilma de 1º/1/2011 a 11/5/2016 (o acervo de Paim começa em 09/02/2011); Temer de 12/5/2016 a 2018; Bolsonaro de 2019 a 2022; Lula 3 a partir de 1º/1/2023, com o acervo até 21/9/2026. O ritmo por mês divide os pronunciamentos pelos meses de calendário de cada governo dentro do acervo.

Temas: palavras-chave, sem acento, procuradas na indexação e no resumo que a Secretaria do Senado escreve para cada pronunciamento; um pronunciamento pode ter vários temas; a lista de cada tema está em “Ver as palavras-chave de cada tema”, sob o gráfico. Palavras e fórmulas de assinatura: frequência por pronunciamento nos textos dele contra os dos outros 63, com no mínimo 25 ocorrências e razão de 8 ou mais.

Palavras proferidas: só o trecho sob o nome dele, sem a fala de quem presidia, sem apartes e sem os textos entregues por escrito. Aparte: trecho que o taquígrafo rotula com o nome de outro senador dentro de um pronunciamento em que Paim é o orador; a fala de outro senador numa sessão que ele preside não é aparte. A marca de divergência é uma lista de palavras (divirjo, discordo, equívoco e afins), e cada um dos 32 trechos foi lido.

Os 16 registros de 03/08/2022 foram classificados pela rubrica oficial do cabeçalho de cada texto. Os 243 textos em que ele só preside são os que não têm nenhum trecho rotulado “O SR. PAULO PAIM” como orador.

Toda citação entre aspas foi conferida, letra por letra, no texto oficial do pronunciamento, com o link ao lado. Partido e estado são os do dia da fala: em todas, PT-RS. A data e o placar do julgamento do impeachment ficaram de fora por escolha: a fala é de 25/08/2016, antes da decisão.

O que este número não diz

O acervo começa em 2011; Paim é senador desde 01/02/2003, e os oito primeiros anos no Senado e os quatro mandatos de deputado federal, um de Constituinte, não estão aqui. Pronunciamento não é tempo de tribuna nem é sempre discurso: 599 dos 2.636 têm algum texto entregue por escrito, 143 são só texto escrito e em 243 dos 2.441 textos ele só preside a sessão, lendo ofícios e dando a palavra; o Senado os lista como pronunciamento. O Senado publica a data, não a hora nem a duração. Em 1.125 o texto é a taquigrafia sem revisão do orador. Os temas medem palavras na indexação oficial, não a posição dele. A divergência foi procurada por palavras, e pode haver oposição dita sem elas. O trabalho nas comissões, inclusive a presidência da Comissão de Direitos Humanos, fica fora: só o que o Senado lista como pronunciamento. Nada aqui diz por que ele deixa o Senado além do que ele mesmo disse.

Fontes

  1. Senado Federal — Dados Abertos, mandatos do senador Paulo Paim (código 825)
  2. Senado Federal — Dados Abertos (pronunciamentos por senador)
  3. Senado Federal — pronunciamento de 25/08/2016 (discussão do impeachment)
  4. Senado Federal — pronunciamento de 20/06/2017 (reforma trabalhista na CAS)
  5. Agência Senado, 20/06/2017 — “CAS rejeita relatório sobre projeto da reforma trabalhista” (10 votos a 9)
  6. Senado Federal — pronunciamento de 10/12/2021 (Veto 48, patentes de vacinas)
  7. Senado Federal — pronunciamento de 22/05/2023 (racismo contra Vinícius Júnior)
  8. Senado Federal — pronunciamento de 01/12/2025 (homologação do último mandato)
  9. Senado Federal — pronunciamento de 30/06/2026 (“não serei mais candidato ao Senado”)
  10. Senado Federal — pronunciamento de 21/09/2026 (“Eu saio do Parlamento, volto para casa”)
  11. Senado Federal — pronunciamento de 06/10/2015 (MP 680 e a CLT; resposta de Darcísio Perondi)

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