Marcel van Hattem, 1.872 falas em sete anos: no governo Lula, o presidente está em 27 de cada 100
O deputado do Novo do Rio Grande do Sul falou 31 vezes mais que o deputado típico (a mediana). O Supremo está em 18,3% das falas; Lula, citado em 6,8% sob Bolsonaro, passa a 27,1%.
Era 25 de abril de 2023, 14h28, dia da votação da urgência do PL 2630, o projeto das plataformas digitais. Marcel van Hattem (Novo-RS), nas Breves Comunicações, disse: “eu serei preso! Eu vou para a cadeia! Eu ofereço as minhas mãos à algema que será colocada pela Polícia Federal depois de aprovado esse projeto de lei da censura!” E fechou: “PL da censura não!” (Diário da Câmara)
A fala tem o que sete anos de tribuna confirmam: o Supremo e a censura como assuntos.
Só uma deputada falou mais. São 1.872 falas de 1º de fevereiro de 2019 a 1º de setembro de 2026. É o segundo lugar entre os 412 deputados do acervo. A mediana deles é de 60 falas: ele falou 31 vezes isso. O primeiro lugar, Erika Kokay (PT-DF), tem 3.307.
A primeira fala, em 1º de fevereiro de 2019, às 18h44, foi uma candidatura à Presidência da Câmara, no dia da eleição da Mesa: “Estivemos submetidos por muito tempo ao jugo do paternalismo estatal, ao jugo dos desmandos da política corrupta, do privilégio individual em oposição ao bem comum” (Diário).
Em 1º de fevereiro de 2025 ele voltou a disputar a Mesa: “a primeira pauta que um Presidente da Câmara dos Deputados precisa defender, em virtude justamente do posicionamento de dezenas de Parlamentares que já assinaram requerimentos desta ordem, é o impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva.” (Diário)
O ritmo
O ano de mais falas foi 2023, o primeiro do governo Lula, com 365. Ao contrário da primeira do ranking, ele falou mais depois de 2022: 977 falas de 2023 a 2026, contra 895 de 2019 a 2022.
2019: mediana 21 · 2020: mediana 15,5 · 2021: mediana 14,5 · 2022: mediana 11 · 2023: mediana 13 · 2024: mediana 10 · 2025: mediana 12 · 2026: mediana 5
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026. 2026 vai até 1º de setembro.
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| Ano | Falas de Marcel van Hattem |
|---|---|
| 2019 | 251 |
| 2020 | 180 |
| 2021 | 235 |
| 2022 | 229 |
| 2023 | 365 |
| 2024 | 246 |
| 2025 | 268 |
| 2026 | 98 |
Ele falou em 526 dias diferentes; a mediana dos deputados com fala é 47.
A fatia de “pela ordem” é a de um deputado típico: 47,6% das falas dele, contra uma mediana de 47,5%. O que o separa é a fala de votação. Encaminhamento de votação é 16,6% das falas dele; a mediana dos deputados é 1,8%.
Discussão de matéria é 10,7%, contra 1,8%. O discurso avulso das Breves Comunicações é 10,6% nele e 24,5% na mediana.
- Pela ordem47,6%47,5%
- Discussão10,7%1,8%
- Encaminhamento de votação16,6%1,8%
- Breves Comunicações10,6%24,5%
- Como Líder7,6%3,5%
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026.
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| Tipo de fala | Marcel van Hattem | Outros deputados (mediana) |
|---|---|---|
| Pela ordem | 47,6% | 47,5% |
| Discussão | 10,7% | 1,8% |
| Encaminhamento de votação | 16,6% | 1,8% |
| Breves Comunicações | 10,6% | 24,5% |
| Como Líder | 7,6% | 3,5% |
É a fala de quem orienta a bancada: 656 falas, 35% do total, trazem a palavra “orienta” ou derivada. Em 178 ele fala em obstrução.
A fala típica dele tem 292 palavras; a dos outros, 215. Mais de um quarto acontece a partir das 20h: 27,6%, contra 21,3% nos outros.
O que muda com o governo
No governo Bolsonaro, o fundo eleitoral estava em 5,6% das falas dele. No governo Lula, caiu a 0,7%. A Previdência vai de 5,5% a 0,9%; a privatização, de 4,6% a 0,4%.
O Supremo sobe de 13,1% das falas para 23,1%. Alexandre de Moraes vai de 2,6% para 11,6%: foram 2 falas em 2019 e 43 em 2025.
Lula cresce como assunto: de 6,8% das falas para 27,1%. O PT, de 12,6% para 25,8%. Bolsonaro aparece em 6,8% antes e em 6,6% depois, contra 16,1% nos outros deputados.
- Lula6,8%27,1%
- Bolsonaro6,8%6,6%
- Governo federal19%34,8%
- PT12,6%25,8%
- STF, Supremo13,1%23,1%
- Alexandre de Moraes2,6%11,6%
- Enchentes, calamidade0,9%7,2%
- Fundo eleitoral5,6%0,7%
- Previdência5,5%0,9%
- Privatização4,6%0,4%
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026. Lista de termos escolhida pela redação; a conta é por fala, uma vez cada.
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| Nome ou tema | Governo Bolsonaro | Governo Lula | Falas no total |
|---|---|---|---|
| Lula | 6,8% | 27,1% | 326 |
| Bolsonaro | 6,8% | 6,6% | 125 |
| Governo federal | 19% | 34,8% | 510 |
| PT | 12,6% | 25,8% | 365 |
| STF, Supremo | 13,1% | 23,1% | 343 |
| Alexandre de Moraes | 2,6% | 11,6% | 136 |
| Enchentes, calamidade | 0,9% | 7,2% | 78 |
| Fundo eleitoral | 5,6% | 0,7% | 57 |
| Previdência | 5,5% | 0,9% | 58 |
| Privatização | 4,6% | 0,4% | 45 |
As enchentes do Rio Grande do Sul entram em 2024: de 0,9% das falas para 7,2%. Em 8 de maio de 2024, Alencar Santana (PT-SP), em fala Como Líder, disse sobre o requerimento de comissão externa de autoria dele: “Independentemente de ele fazer oposição ao Governo, o Governo está votando a favor disso” (Diário).
A língua
A abertura mais comum é “Sr. Presidente, caros colegas”, em 215 falas; depois, “Sr. Presidente, o NOVO”, em 163. “caros colegas Parlamentares” aparece 237 vezes: 33 vezes a frequência dos outros deputados.
O fecho mais comum é “Muito obrigado, Sr. Presidente”, em 245 falas. O fecho de bancada vem logo atrás: “O NOVO orienta "não"” fecha 40 falas; “O NOVO orienta "sim"”, 34; “o NOVO está em obstrução”, 15.
“o NOVO orienta” aparece 373 vezes nas falas dele. É fórmula da bancada: Adriana Ventura (Novo-SP) a diz em 211 falas, Gilson Marques (Novo-SC) em 162, Luiz Lima (Novo-RJ) em 87. Mais dele são “abuso de autoridade” (130 usos, 15 vezes a frequência dos outros) e “Senado da República” (135).
O vocabulário duro foi medido com a mesma lista nos dois perfis: 68 termos, reunidos das 81 palavras das duas listas, publicados no gráfico abaixo. Ele usa 5,22 desses termos a cada mil palavras; Erika Kokay, 5,43. Nele, 4,01 sob Bolsonaro e 6,36 sob Lula.
Os termos mais frequentes nele são “crime” (379 vezes), “absurdo” (338) e “abuso” (296). A lista conta palavras, não intenção: em fala de votação, “crime” e “abuso” podem descrever o texto votado.
- Governo Bolsonaro4,04,7
- Governo Lula6,46,7
- Todo o período5,25,4
Fonte: Câmara dos Deputados, API de dados abertos, discursos de Plenário de 412 deputados do acervo, fev/2019 a set/2026. A lista é a união das duas listas declaradas pela mesa de pesquisa; mede vocabulário, não intenção nem alvo.
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| Período | Marcel van Hattem (por mil) | Erika Kokay (por mil) |
|---|---|---|
| Governo Bolsonaro | 4,0 | 4,7 |
| Governo Lula | 6,4 | 6,7 |
| Todo o período | 5,2 | 5,4 |
Ver a lista dos 68 termos
| Termo (plural somado ao singular) | Marcel van Hattem | Erika Kokay |
|---|---|---|
| absurda | 27 | 10 |
| absurdo | 338 | 300 |
| abuso | 296 | 43 |
| arbitrariedade | 10 | 2 |
| arbitrário | 4 | 5 |
| assassina | 18 | 232 |
| assassino | 15 | 50 |
| autoritarismo | 15 | 52 |
| autoritário | 15 | 31 |
| bandido | 128 | 19 |
| canalha | 2 | 0 |
| censura | 110 | 44 |
| censurado | 25 | 3 |
| censurar | 24 | 1 |
| comunista | 77 | 9 |
| corrupta | 8 | 24 |
| corrupto | 85 | 84 |
| corrupção | 249 | 293 |
| covarde | 56 | 30 |
| covardia | 22 | 16 |
| crime | 379 | 933 |
| criminosa | 49 | 87 |
| criminoso | 141 | 218 |
| cínico | 1 | 9 |
| desumano | 3 | 3 |
| ditador | 69 | 22 |
| ditadura | 102 | 291 |
| ditatorial | 15 | 13 |
| facínora | 0 | 3 |
| fascismo | 10 | 115 |
| fascista | 6 | 126 |
| genocida | 8 | 127 |
| genocídio | 7 | 102 |
| golpe | 43 | 422 |
| golpista | 27 | 187 |
| hipócrita | 26 | 6 |
| ignorante | 0 | 0 |
| ilegal | 123 | 141 |
| ilegítimo | 1 | 0 |
| impeachment | 108 | 38 |
| incompetente | 21 | 6 |
| inconstitucional | 94 | 48 |
| ladrão | 55 | 38 |
| machista | 3 | 36 |
| mentira | 123 | 557 |
| mentirosa | 13 | 25 |
| mentiroso | 19 | 20 |
| miliciano | 0 | 37 |
| milícia | 2 | 147 |
| misógina | 4 | 50 |
| misógino | 0 | 43 |
| monstruoso | 1 | 0 |
| nazista | 9 | 8 |
| negacionista | 3 | 40 |
| perseguido | 89 | 11 |
| perseguição | 108 | 29 |
| psicopata | 0 | 26 |
| quadrilha | 25 | 21 |
| racista | 4 | 82 |
| safado | 2 | 0 |
| socialista | 28 | 2 |
| sociopata | 0 | 0 |
| tirania | 9 | 0 |
| tirano | 12 | 0 |
| vagabundo | 2 | 1 |
| vergonha | 140 | 47 |
| vergonhoso | 18 | 8 |
| ódio | 25 | 505 |
Contra quem fala, e quem responde
O Supremo é citado em 18,3% das falas dele; nos outros deputados, em 7,8%. Alexandre de Moraes está em 136 falas. Em 3 de dezembro de 2025 ele mostrou um dossiê e pediu “o primeiro impeachment de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, conduzido pelo Senado da República, no caso do Ministro Alexandre de Moraes” (Diário).
Quem ele mais nomeia são colegas do Novo e do PL: Adriana Ventura (Novo-SP), em 111 falas; Bia Kicis (PL-DF), 61; Cabo Gilberto Silva (PL-PB), 54. Do PDT, do PSOL e do PT: Pompeo de Mattos, 50; Chico Alencar, 29; Erika Kokay, 28. Ela o nomeia em 14 falas, pelo mesmo critério.
Quem o cita: Cabo Gilberto Silva, em 61 falas; Adriana Ventura, 61. Dois deputados do Rio Grande do Sul também: Pompeo de Mattos (PDT-RS), 22, e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), 18.
O primeiro embate completo é de 17 de dezembro de 2019, na votação do fundo eleitoral. Às 20h ele falou em “encaminhar 2 bilhões de reais para campanhas eleitorais” (Diário). Às 20h32: “muitos aqui atacam empresas privadas, doações privadas, mas viveram mamando nos caixas dois de empresas privadas que se mancomunavam com o Governo e as políticas públicas e, depois, abasteciam suas campanhas eleitorais” (Diário).
Quatro minutos depois, Marcon (PT-RS), ao orientar a bancada: “Vá se esconder, Marcel Van Hattem! V.Exa. está mentindo aqui na Câmara! Chega de mentir!” (Diário)
Em 14 de agosto de 2019, no dia seguinte à fala dele sobre a MP da Liberdade Econômica, Paulo Guedes (PT-MG), deputado homônimo do então ministro: “quando vi ontem o Deputado Marcel Van Hattem, que é o porta-voz do poder econômico e dos banqueiros nesta Casa, defendê-la com tanta ênfase, desconfiei de vez” (Diário).
Em 23 de março de 2022, às 15h40, em resposta a Célio Moura (PT-TO), que defendera a condenação de Deltan Dallagnol a indenizar Lula, ele disse: “vergonhosa foi a atuação do PT no governo, criminosa foi a atitude de Lula e de todos os seus comparsas. Condenado!” E adiante: “Lula ladrão! - repito quantas vezes precisar.” (Diário) É acusação de crime a pessoa nomeada, na voz dele; a seção não verifica cada afirmação.
Na mesma fala ele diz: “Foi uma tecnicalidade jurídica que anulou as condenações que Lula recebeu”. A decisão oficial: em 8 de março de 2021 o ministro Edson Fachin, do STF, anulou as condenações de Lula na Lava Jato por incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba (HC 193726); em 15 de abril de 2021 o Plenário confirmou, por 8 votos a 3 (STF), e em 22 de abril fixou a Justiça Federal do Distrito Federal como foro (STF). A fala de Célio Moura não está no acervo do Aparte: ele não é um dos 412 deputados com arquivo de texto.
Em 28 de maio de 2024, na sessão do Congresso sobre os vetos às saídas temporárias de presos: “Lula desrespeita o Poder Legislativo, Lula é antidemocrático, Lula age como um ditador, aliás, ele adora ditaduras.” E: “Nós sabemos que Lula foi descondenado, mas não absolvido, pelos crimes que ele e sua quadrilha cometeram.” (Diário) São afirmações dele; a decisão do STF é a descrita acima. O outro lado dessa sessão não foi procurado: é sessão conjunta, fora do acervo.
No dia do PL 2630, o relator Orlando Silva (PCdoB-SP) falou às 18h24, sem nomeá-lo: “O fato é que é muito importante termos uma regra para garantir a liberdade de expressão de todos na Internet.” (Diário) A comparação entre as duas falas é do jornal.
O embate com Erika Kokay tem os dois lados na mesma sessão, em 22 de maio de 2025, em quatro falas seguidas. Às 13h12, ele, em obstrução, dirigindo-se a ela: “É justamente o PT de V.Exa., que defende o Lula, o maior ladrão que já ocupou a Presidência da República, ladrão, ladrão, ladrão, ladrão, ladrão.” (Diário) Afirmação dele; a decisão do STF é a de 2021.
Às 13h16, ela, sobre Bolsonaro: “Nós temos um ex-Presidente da República que está respondendo à Justiça porque roubou joias” (Diário). Às 13h24 repete: o povo “derrotou o ladrão de joias”. É acusação de crime a pessoa nomeada, na voz dela. A situação oficial que a redação localizou: em 8 de julho de 2024 o STF retirou o sigilo do caso das joias (PET 11645), com o relatório final da Polícia Federal apresentado e prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República pedir mais provas, arquivar ou denunciar (STF). Decisão posterior em página oficial a redação não localizou.
Às 13h20, ele volta e a nomeia 6 vezes: “A senhora passa pano para essa roubalheira do Governo Lula de aposentados, idosos, deficientes físicos e mulheres? Sim, a senhora passa pano para a corrupção no Governo Lula. A senhora defende impunidade.” (Diário) A seção não verifica. Às 13h24, ela, sem nomeá-lo: “alguns acham que o tom odioso ou que esse ódio destilado e essas mentiras consolidadas convencem a Nação” (Diário).
Em 26 de novembro de 2025 ele registra o que ouviu dela: “Depois, ainda ouço da Deputada Erika Kokay que nós somos antidemocráticos. Está no Regimento buscar as 52 assinaturas.” (Diário) Nas 10 falas dela daquele dia no acervo, a palavra não aparece. Às 19h04 ela disse, sobre uma sugestão do Novo: “Parem de mentir! Parem de mentir!” (Diário) Nem sempre foi assim. Em 11 de setembro de 2019: “o NOVO alia-se à sintética e brilhante defesa da Deputada petista Erika Kokay sobre a livre concorrência” (Diário).
Em 24 de março de 2022 ele presidia a sessão. Às 11h16, ela, contra o voto remoto: “só fala quem aqui está. Como se permite que o Parlamentar exerça seu mandato pela metade?” (Diário) Às 11h20 ele respondeu da Mesa: “Na qualidade de Presidente, não na de Parlamentar, cuja opinião pessoal é conhecida nesta Casa sobre o tema tratado pela Deputada Erika Kokay” (Diário). Às 11h24, ela: “É uma violência o que está acontecendo nesta Casa. É uma violência! Realmente o arbítrio perdeu a modéstia.” (Diário)
Cinco falas para ler
- 01/02/2019Eleição da Mesa, 18h44. A primeira fala é uma candidatura à Presidência da Câmara: “o jugo do paternalismo estatal”. Diário da Câmara
- 17/12/2019Encaminhamento de votação, 20h32. O fundo eleitoral e os “caixas dois”; quatro minutos depois, a resposta de Marcon (PT-RS). Diário da Câmara
- 23/03/2022Breves Comunicações, 15h40. “Condenado!”, “Lula ladrão!” e a anulação das condenações, na voz dele. Afirmação dele; a seção não verifica. Diário da Câmara
- 25/04/2023Breves Comunicações, 14h28. “eu serei preso!”: o PL 2630, o “PL da censura”, no dia da urgência. Diário da Câmara
- 28/05/2024Discussão, 15h36. Os vetos às saídas temporárias: “Lula age como um ditador”. Diário da Câmara
Fonte: Diário da Câmara dos Deputados (texto taquigráfico, sem revisão do orador).
Em 4 de outubro de 2026 ele disputou uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul. Teve 3.449.053 votos, 30,08% dos válidos, e ficou em 2º lugar: foi eleito, segundo a totalização oficial do TSE. A última fala no acervo é de 1º de setembro de 2026.
Como fizemos
Lemos as 1.872 falas de Marcel van Hattem publicadas pela API de dados abertos da Câmara, de 1º de fevereiro de 2019 a 1º de setembro de 2026, e as comparamos com as falas dos outros 411 deputados do acervo do Aparte. O arquivo dele não tinha cópias. Quando a transcrição traz a fala do Presidente ou de outro deputado dentro da dele, os números do JSON contam só os turnos dele; as 6 falas em que ele presidia a sessão ficam fora das contagens de texto. A mediana de falas por deputado (60) e a de dias com fala (47) são as dos 412 do acervo, as mesmas do perfil de Erika Kokay; 16 deles não têm fala.
Régua comum aos dois perfis: a fatia por tipo de fala é comparada com a mediana entre deputados com 20 falas ou mais; noite é 20h em diante; o vocabulário duro usa uma lista única de 68 termos, reunidos das 81 palavras das duas listas declaradas pela mesa de pesquisa (plural somado ao singular, com flexões), contada no texto integral das falas dos dois oradores; “quem nomeia quem” e “quem o cita” contam falas em que o nome aparece no texto, em qualquer caixa, uma vez por fala: “Van Hattem” ou “Deputado Marcel” para ele; “Erika Kokay”, “Deputada Erika” (sem “Hilton”) ou “Deputada Kokay” para ela; para os demais, nome e sobrenome (“Adriana Ventura”, “Bia Kicis”, “Cabo Gilberto”, “Pompeo”, “Chico Alencar”) ou “Deputada” com o primeiro nome. O mesmo critério vale nos dois arquivos.
Governo Bolsonaro é o período até 31 de dezembro de 2022; governo Lula, de 1º de janeiro de 2023 em diante. Nomes e temas foram procurados no texto integral de cada fala por lista da redação (por exemplo, “Supremo”, “Moraes”, “fundo eleitoral”); cada fala conta uma vez. Frases de assinatura são sequências de palavras contadas por mil palavras, nele e nos outros deputados; “NOVO orienta” foi contada, em qualquer caixa, nas falas dos outros deputados do Novo.
Cada citação entre aspas foi conferida, letra por letra, no texto oficial da fala; o link leva à página do Diário da Câmara. As decisões do STF e o resultado do TSE foram lidos nas páginas oficiais em 14 de outubro de 2026.
O que este número não diz
Votos e projetos não estão no acervo: “O NOVO orienta "não"” é o que ele disse, não como ele votou. Quase metade das falas é “pela ordem” e um terço traz “orienta”: contagem de falas mede presença no microfone, não o peso de cada discurso. A lista de termos duros conta vocabulário, não intenção nem alvo; “governo” e “Supremo” contam como citação, não como crítica, e “crime” e “abuso” entram tanto na acusação quanto na descrição de um projeto. O ranking é entre os 412 deputados do acervo, não entre os 513 da Casa, e deputados com mandato parcial puxam a mediana para baixo; por isso a comparação ano a ano é a mais justa. O texto é o da taquigrafia, “Sem revisão do orador”. Comissões, gabinete e redes sociais ficam de fora. Acusações de crime a pessoas nomeadas são afirmações de quem falou; a seção não verifica cada uma.
Fontes
- Câmara dos Deputados — API de dados abertos, discursos do deputado Marcel van Hattem (id 156190)
- Câmara dos Deputados — página do deputado Marcel van Hattem
- Câmara dos Deputados — Diário da Câmara (cada fala citada tem o link no texto)
- STF — Fachin anula condenações de Lula e manda ações penais para Justiça Federal do DF (08/03/2021, HC 193726)
- STF — STF confirma anulação de condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato (15/04/2021, 8 votos a 3)
- STF — Plenário fixa competência da Justiça Federal do DF para julgar processos contra ex-presidente Lula (22/04/2021)
- STF — STF retira sigilo do caso das joias, dá acesso às partes e abre vista para análise da PGR (08/07/2024, PET 11645)
- TSE — totalização oficial, Senado, Rio Grande do Sul, 1º turno de 04/10/2026 (arquivo de dados)
- STF — Tema 995 de repercussão geral (RE 1.075.412): dever de cuidado de quem publica imputação feita por terceiro
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